Tema da próxima edição do TEDxJundiaí dialoga com a Década da Cultura da ONU

A Década Internacional da Cultura para o Desenvolvimento Sustentável coincide com uma discussão que estará no centro do próximo TEDxJundiaí: quando falamos em sustentabilidade, o que exatamente estamos tentando preservar — e a que custo?

Em setembro, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o período de 2027 a 2036 como a Década Internacional da Cultura para o Desenvolvimento Sustentável. A proposta pretende ampliar a presença da cultura na agenda internacional de desenvolvimento e transformar um reconhecimento já bastante difundido em políticas mais consistentes.

Há uma admissão importante na própria justificativa da resolução: a relação entre cultura e desenvolvimento aparece há décadas em conferências, documentos internacionais e políticas públicas. O problema é que esse reconhecimento nem sempre encontrou correspondência nas decisões econômicas e nos processos de planejamento.

É justamente essa distância entre reconhecer e incorporar que torna a Década interessante.

Nos últimos anos, tornou-se comum dizer que a cultura contribui para o desenvolvimento sustentável — ela movimenta economias, participa da educação, transforma territórios e pode fortalecer vínculos comunitários. Mas essa aproximação também permite uma pergunta anterior: quando falamos em desenvolvimento sustentável, já sabemos exatamente o que entendemos por desenvolvimento?

Essa questão interessa particularmente ao TEDxJundiaí neste ano.

O tema da próxima edição, “(in)sustentável”, surgiu de certo desconforto com a facilidade com que a palavra sustentabilidade passou a circular. Uma solução pode funcionar muito bem quando observada por determinado indicador e, ainda assim, transferir custos materiais e simbólicos para outras pessoas, territórios ou para o futuro. Uma transformação urbana pode gerar riqueza e, ao mesmo tempo, dificultar a permanência de quem construiu sua vida naquele lugar.

O parêntese de (in)sustentável procura manter essa tensão aberta: sustentável em que sentido, para quem e sob quais condições?

Uma área urbana em processo de “revitalização”, por exemplo, pode apresentar bons resultados em investimento, novos negócios e valorização imobiliária. A leitura cultural acrescenta outras perguntas: quem conseguiu permanecer? Que usos desapareceram? O que aconteceu com as relações construídas naquele território?

Essas perguntas não anulam os indicadores econômicos. Elas mostram que qualquer ideia de desenvolvimento envolve escolhas sobre aquilo que valorizamos e sobre os custos que aceitamos produzir.

O que conseguimos medir?

Organizações internacionais já vêm destacando a necessidade de melhores dados culturais. É difícil avaliar políticas, identificar desigualdades ou justificar investimentos sem informações minimamente consistentes.

Mas medir também significa escolher o que será observado.

Podemos saber quantas pessoas entraram em um equipamento cultural sem compreender completamente a relação que aquele espaço mantém com o bairro. Podemos acompanhar o crescimento econômico de uma região sem perceber que determinadas práticas ou grupos estão deixando de caber ali.

Isso não reduz a importância dos indicadores. Pelo contrário: obriga a pensar melhor o que queremos que eles nos mostrem. Uma planilha responde muito bem às perguntas que fizemos a ela; dificilmente revelará os custos que sequer decidimos procurar.

Essa questão se aproxima bastante do “(in)sustentável”. Parte das contradições da sustentabilidade surge justamente quando aquilo que funciona bem em determinado recorte depende de efeitos que permaneceram fora dele.

A Década começa oficialmente em 2027, e a UNESCO ainda irá elaborar seu Plano de Ação. Muito de seu significado dependerá das escolhas feitas a partir daí: que políticas serão estimuladas, quais indicadores serão adotados e quanto espaço a cultura terá nas decisões que normalmente acontecem fora do setor cultural.

Em Jundiaí, essa discussão começa antes. Ao escolher “(in)sustentável” como tema de sua próxima edição, o TEDxJundiaí levanta questões muito próximas das que agora ganham escala internacional: o que estamos tentando sustentar, quais custos permanecem invisíveis e que formas de vida, convivência e relação com o território queremos preservar.

Enquanto a UNESCO organiza os caminhos institucionais para os próximos dez anos, o debate sobre sustentabilidade já ganha forma concreta nas ações culturais de nosso território.

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