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  • Curadoria: o que Buscamos em uma Palestra?

    Curadoria: o que Buscamos em uma Palestra?

    O TED é uma organização sem fins lucrativos dedicada à disseminação de “ideias que mudam tudo”. Desde sua criação, suas conferências reuniram alguns dos maiores pensadores, cientistas, artistas e inovadores do mundo para apresentar ideias transformadoras em palestras curtas e impactantes. Com o objetivo de ampliar esse alcance global, surgiram os eventos TEDx, iniciativas organizadas de forma independente, mas alinhadas à missão do TED, realizadas em cidades ao redor do mundo.​

    O TEDxJundiaí faz parte desse movimento, trazendo para nossa comunidade um palco onde ideias inspiradoras podem gerar conexões, provocar reflexões e incentivar mudanças. Mas como escolhemos os palestrantes que sobem ao palco? Como ocorre esse processo de curadoria? E, principalmente, como diferenciamos a seleção ativa de ideias da simples abertura de inscrições?

    A Essência da Curadoria

    A curadoria do TEDxJundiaí é um trabalho ativo e criterioso. Nossa missão é encontrar ideias potentes, que dialoguem com a nossa comunidade e, ao mesmo tempo, tenham o potencial de ressoar globalmente. Afinal, no TED, ideias mudam tudo. As palestras do evento são compartilhadas no canal internacional TEDx e frequentemente legendadas em diversas línguas por uma rede de voluntários, ampliando seu impacto ao redor do mundo.

    Isso significa que, mesmo ao trazer temas ligados ao nosso território, buscamos garantir que a mensagem tenha um alcance universal. O TED valoriza curiosidade, razão, imaginação, inclusão e impactoprincípios que orientam nossa curadoria e nos ajudam a construir um evento diverso e inspirador.

    Quem Sobe ao Palco do TEDxJundiaí?

    Os eventos TEDx não são espaços para autopromoção. Palestrantes que sobem ao palco para vender um produto, divulgar um serviço ou simplesmente contar uma história sem uma ideia central não fazem parte da nossa curadoria. Uma palestra memorável é aquela cuja mensagem é clara, relevante e provocadora, capaz de instigar a audiência a enxergar o mundo de uma nova maneira. Explicamos isso em mais detalhes no artigo “O que [não] é uma palestra TEDx”.

    Portanto, muitas vezes, especialistas renomados dividem o palco com pessoas que possuem histórias potentes e transformadoras, mas que ainda não tiveram visibilidade em espaços tradicionais. O que realmente importa é a força da ideia e sua capacidade de impactar quem assiste. No TEDx, valorizamos a essência do conhecimento compartilhado e o impacto das narrativas, como falamos no artigo “O Poder das Ideias, por Chris Anderson”.

    Como Encontramos Nossos Palestrantes?

    A curadoria é um trabalho de busca ativa. Estamos constantemente atentos a pessoas que estão fazendo a diferença, seja na cultura, na educação, na ciência ou em outros campos. Não nos limitamos aos canais tradicionais de comunicação; pelo contrário, muitos dos palestrantes que selecionamos estavam “fora do radar” das grandes mídias. Esse é um dos segredos para garantir diversidade real de vozes e experiências no palco.

    A pluralidade é um pilar essencial para nós. Isso significa trazer diferentes visões sobre um mesmo tema, sempre garantindo que o conteúdo seja embasado, respeitoso e alinhado aos princípios do TED. A objetividade e a clareza não significam falta de viés – todo discurso tem um ponto de vista. O que buscamos é que essa perspectiva seja transparente, argumentativa e contribua para um debate construtivo.

    O Formulário de Mapeamento: Uma Ferramenta, Não um Processo Seletivo

    Sabemos que muitas pessoas se interessam em palestrar no TEDxJundiaí. Para ajudar a mapear ideias e histórias que talvez ainda não conheçamos, criamos um formulário de mapeamento. No entanto, ele não é uma inscrição, muito menos um processo seletivo formal. Ele serve apenas como um recurso adicional para ampliarmos nosso olhar e descobrirmos pessoas que possam estar fora do radar dos meios tradicionais.

    Até agora, já recebemos mais de 250 indicações – e, embora não consigamos responder individualmente a todos, garantimos que lemos cada proposta com atenção e seriedade. A curadoria segue sendo um processo ativo, baseado na análise criteriosa de ideias, impacto e diversidade de temas.

    Vale destacar que, se uma proposta não foi selecionada, isso não significa que ela não seja valiosa. A cada edição, precisamos equilibrar diferentes fatores: alinhamento com o tema do ano, diversidade de perspectivas, e a construção de um evento coeso. Como o TEDxJundiaí veio para ficar, novas edições trarão novas oportunidades, e seguimos sempre atentos às ideias que surgem ao nosso redor.

    Além disso, o TEDxJundiaí não está sozinho nessa missão. Fazemos parte de uma rede de organizadores de TEDx pelo Brasil, onde constantemente trocamos experiências para aprimorar nossos processos. Muitas vezes, indicamos palestrantes uns aos outros, pois uma ideia pode fazer mais sentido dentro do contexto de outro TEDx. Esse intercâmbio fortalece a rede TEDx como um todo e permite que ideias encontrem os palcos onde realmente possam brilhar.

    Então, Como Participar?

    Participar de um evento TEDx vai muito além de subir ao palco. O espírito do TEDxJundiaí está na troca de ideias, no fortalecimento de comunidades e na criação de diálogos transformadores. Assistir, compartilhar, refletir e levar essas ideias para o dia a dia também são formas essenciais de participação.

    Se você tem uma ideia poderosa e acredita que ela merece ser compartilhada em um TEDx, saiba que nossa rede de organizadores pelo Brasil está sempre atenta a iniciativas que desafiam padrões e promovem impacto. A curadoria do TEDxJundiaí é um processo ativo, que envolve pesquisa, conexões e um olhar atento para histórias que se encaixam na construção de cada edição. Nesse contexto, ferramentas como o formulário de interesse podem nos ajudar a ampliar nosso campo de visão, mas não definem nossa seleção. As ideias mais potentes encontram seu caminho – seja no TEDxJundiaí ou em outro evento da rede.

    O TEDxJundiaí continuará existindo por muitos anos, e novas oportunidades surgirão. Então, siga compartilhando conhecimento, promovendo impacto e participando desse movimento global de ideias que mudam tudo.

  • A Jornada do TEDxJundiaí – Uma Conversa com Tainan Franco

    A Jornada do TEDxJundiaí – Uma Conversa com Tainan Franco

    O TEDxJundiaí tem sido, desde sua criação, um espaço para mentes inquietas, um palco onde ideias ganham vida e ultrapassam fronteiras. Mais do que um evento, tornou-se um movimento, uma rede de conexões e reflexões que ressoam tanto local quanto globalmente. Mas, nos bastidores dessa iniciativa, há uma força motriz fundamental: uma equipe dedicada de voluntários e uma curadoria cuidadosa, que transforma cada edição em uma experiência única e impactante.

    Entre esses nomes, destaca-se Tainan Franco, cujo trabalho vai além da organização e gestão de projetos audiovisuais: ela é uma articuladora de ideias e uma facilitadora de diálogos. Criadora da MOV8, produtora cultural que já realizou diversos projetos na área, e apresentadora do Francamente, um programa de rádio e podcast que amplia discussões sobre arte, cultura e sociedade no geral, Tainan enxerga a cultura como um espaço de transformação coletiva.

    Para ela, o TEDxJundiaí não é apenas uma sequência de palestras inspiradoras. “O evento precisa ser mais do que uma experiência de um dia. Queremos que ele seja um catalisador de mudanças reais, que as ideias apresentadas no palco ganhem vida no cotidiano das pessoas, que provoquem novas perguntas, novas ações.” Essa visão tem guiado sua atuação na curadoria e produção do TEDxJundiaí, garantindo que cada edição não apenas conte histórias, mas que deixe um impacto significativo, ampliando o alcance das reflexões e estimulando novas conexões.

    Territórios: O Ponto de Partida

    Em 2023, o TEDxJundiaí trouxe como tema “Territórios”, um conceito que ajudou a situar o evento dentro de uma jornada de descobertas. Para Tainan, esse foi um momento simbólico: “Territórios nos ajudou a nos situar ‘no mapa’ dessa jornada. E por isso a escolha do local, o Espaço Expressa, foi tão significativa! Uma antiga oficina de trem, que representa tão bem a história da cidade de Jundiaí, seus imigrantes, sua população de origens e trajetórias diversas. A metáfora da partida e da jornada fez total sentido nesse espaço, que também abriga um Museu Ferroviário.”

    O evento, para ela, não se tratava apenas de um tema, mas de um convite para que cada participante olhasse para o espaço que ocupa no mundo. “A gente não escolhe o território onde nasce, mas podemos escolher como nos relacionamos com ele, como construímos nele nossas conexões, nossa história. E o TEDx sempre foi sobre isso: sobre provocar essa reflexão.”

    Olhares: Ampliando Horizontes

    No ano seguinte, em 2024, a reflexão se aprofundou com “Olhares”. Para Tainan, a conexão com o tema anterior foi natural, mas também revelou novos significados. “A própria história do local escolhido, a Sala Glória Rocha, representou bem o tema ‘Olhares’. Esse teatro atravessou gerações. Meu marido sempre me contou como o teatro marcou sua infância. Ele ia com a mãe e o irmão assistir a peças infantis, e aquilo moldou sua visão de mundo. Foi uma reflexão muito forte sobre como a cultura impacta nossa forma de ver a realidade.”

    A escolha desse tema trouxe também um olhar sobre o poder da arte na formação humana. “O teatro não é só um palco onde histórias são contadas. Ele é um espaço onde histórias se formam, onde a gente enxerga o outro, enxerga a si mesmo. É um convite para ver além, para expandir nossa percepção.”

    Essência: O Coração das Ideias

    Agora, em 2025, o TEDxJundiaí convida o público a explorar a “Essência”. Para Tainan, esse é o ponto central de todas as edições anteriores. “A essência é aquilo que está oculto em tudo, mas que se revela nas ações, nas falas, nas ideias. É o que permanece quando o superficial é retirado. A essência define uma cultura, uma sociedade e a nós mesmos. É a mensagem por trás de uma fala bem construída, o sentimento que motiva uma ação, o ‘porquê’ de uma ideia. E isso tem tudo a ver com o lema do TED e dos TEDx ao redor do mundo: ‘ideias mudam tudo’.”

    Uma Jornada Contínua

    Os temas anteriores prepararam o público para essa nova reflexão, mas de uma maneira fluida: “Os temas anteriores são como momentos distintos de uma mesma jornada, mas o ponto de partida independe de uma ordem exata. Podemos dizer que os temas anteriores ajudam a preparar o público, mas, ao olharmos para trás, percebemos que os olhares e a essência sempre estiveram presentes. Os territórios refletem a essência de uma comunidade, e também a de um indivíduo. Tudo está interligado.”

    A Curadoria da Edição 2025

    A curadoria do TEDxJundiaí sempre busca ampliar perspectivas e dar espaço a diferentes vozes. Segundo Tainan, o critério principal é a relevância das ideias: “Buscamos histórias que, por mais que tenham nascido no âmbito local, possam fazer sentido globalmente. Prezamos por diversidade e pela representatividade de diferentes vivências e realidades. Para garantir isso, criamos um formulário de interesse, para que a própria comunidade possa sugerir nomes — inclusive a si mesma.”

    Mas, como ela enfatiza, nem todos podem ser chamados de imediato: “Há muitas ideias incríveis, mas limitamos o número de palestrantes para que o evento não fique muito longo. No entanto, o TEDxJundiaí não se resume ao palco. Construir essa comunidade é muito mais do que apenas falar — é também ouvir, propagar as ideias e se inspirar para agir.”

    O Que Esperar do TEDxJundiaí 2025?

    O evento deste ano quer reforçar ainda mais a noção de comunidade. “Queremos chamar o público à ação e mostrar que o evento vai além das palestras. A partir deste ano, planejamos eventos menores, em novos formatos, antes e depois do TEDxJundiaí principal. Assim, vamos fortalecendo essa rede de TEDxers na nossa região.”

    O Que Torna o TEDxJundiaí Único?

    Tainan resume a essência do evento em poucas palavras: “O TEDxJundiaí é sobre construir uma comunidade que acredita no poder das ideias e da ação para mudar o mundo — começando por mudar a si mesmo, seu entorno, seu bairro, sua cidade… para, então, transformar o mundo.”

    Um Convite para Construir Juntos

    Por fim, Tainan deixa um convite aberto: “Todo apoio é importante, seja como público, propagando as ideias e se inspirando de forma criativa, ou como patrocinador, ajudando a viabilizar o evento. TEDxJundiaí é uma construção, e queremos que todos façam parte dessa jornada.” O TEDxJundiaí 2025 promete ser uma experiência transformadora, reafirmando o compromisso de inspirar mudanças por meio das ideias. Para mais informações e atualizações, acesse tedxjundiai.com.br e venha construir essa história conosco!

  • Quem dera se todos fossem fortes, Samy

    Quem dera se todos fossem fortes, Samy

    Texto originalmente publicado em https://www.blogdoschadt.com/post/quem-dera-se-todos-fossem-fortes-samy (por Felipe Schadt).

    Na última sexta-feira (3), faleceu, aos 48 anos, Samy Fortes, mulher transsexual, fundadora do projeto CAIS Jundiaí (Centro de Apoio e Inclusão Social para Travestis e Transexuais), do cursinho popular Educatrans e ativista dos direitos da comunidade LGBTQIAP+. 

    Minha história com a Samy é de um admirador, nada mais do que isso. Vi de longe sua luta, mas tive a oportunidade de presencia-la em um dos grandes momentos de sua carreira, no palco do TEDxJundiaí em 2023. Como nunca tive a oportunidade de conversar com ela com mais profundidade, presto minha homenagem aqui, no espaço que me cabe, para dizer a ela o que eu gostaria de ter dito.

    “Samy, preciso te confessar uma coisa. A primeira vez que eu te vi, foi na faculdade onde eu trabalho como professor. Na ocasião, eu era editor de vídeo do estúdio do curso de Comunicação Social e você foi uma das personagens que os alunos levaram para uma entrevista sobre o tema homofobia. Não vou me lembrar dos detalhes da sua entrevista, nem ao menos datas precisas, mas tem algo que não esqueço.

    A forma como você falava foi substancialmente marcante para mim. Uma fala tranquila, quase mansa, que carregava o peso das histórias que viu e viveu. Era tão contrastante que chegava a confundir. Ao mesmo tempo que você esclarecia, você foi capaz de me fazer sentir culpa.

    Foi depois da sua entrevista que percebi o quão preconceituoso eu ainda era. Pra mim, bastava não ser homofóbico que já estava de bom tamanho, quando na verdade aprendi – com um empurrãozinho seu – que também era necessário combater a homofobia.

    Na segunda vez que te vi, mais consciente sobre essa luta, foi num evento promovido pelo Movimento Aliados, no complexo FEPASA, em Jundiaí. Ao lado da minha companheira, Carol Brotto, assisti com muita atenção você falar de um projeto que dava assistência para mulheres trans e travestis em situação de vulnerabilidade. Você falava do CAIS.

    Mais uma vez, tive outro choque de realidade. Não bastava não ser homofóbico e lutar contra a homofobia, ainda existia uma camada que ninguém via, mas você já enxergava há muito tempo: tornar visível pessoas que são invisibilizadas pelo conservadorismo e preconceito. 

    Todo mundo que mora em Jundiaí sabe que mulheres trans e travestis são vistas apenas no escuro da noite do centro da cidade. Você jogou um holofote nessa questão e mostrou o óbvio: “Os mesmos que condenam e matam nossos corpos à luz do dia, são os que nos procuram na calada da noite para satisfazer seus fetiches pessoais”.

    Na escola em que eu trabalhava, nós ganhávamos cestas básicas e eu, como felizmente não necessitava, queria doá-las para alguém. A Carol conhecia muito bem o seu trabalho e fez a ponte entre nós. Regularmente eu levava até a sua casa a caixa de alimentos que você distribuía para suas “manas”. Um dia você me contou, ali no portão de sua casa, a história de uma delas. Não chorei na sua frente, mas chorei no carro voltando pra casa.

    No ano seguinte, fui convidado pelo Rafael Testa e pela Tainan Franco para participar da organização do TEDxJundiaí. A surpresa maior foi quando descobri que você era um dos nomes que eles faziam questão de estar na estreia do TEDx na cidade. Felizmente você topou e pude me conectar um pouco mais com você e sua história.

    Você viu o que você causou na sua palestra, não é? Todos pararam o que estavam fazendo para te ouvir. Até eu, que não podia ficar parado – pois lembre, eu estava na organização -, parei e fui lá para o fundo da plateia ouvir a voz calma, quase mansa, carregada do peso do que você viu e viveu.

    Você abriu seu coração e contou sobre sua infância sofrida em Porto Alegre e de como era difícil se encaixar em um corpo que não representava o que você era de fato. Falou das violências que sofreu, das incertezas que viveu e do medo que passou. Mostrou para todo mundo – e todo mundo mesmo, já que sua palestra foi parar no canal oficial do TED Talks – que enquanto houver existência, você e sua comunidade serão resistência. Dá para contar nos dedos quem não se emocionou com sua fala naquele 20 de outubro.

    A sua história é motivadora. A sua luta é necessária. E como você é querida, Samy. Sua partida deixou muita gente triste, um vazio incômodo. Li muito a frase “Samy, presente”, mas me lembro de uma coisa que você falou: “Tenho pressa, pois tenho muito trabalho a fazer”. Não precisava ter tanta pressa assim, poderia ter ficado mais, mas o câncer que você enfrentou bravamente, infelizmente não deixou você esticar mais sua presença.

    Você pode não estar presente, afinal, na conta do tempo, você já é passado. Mas seu legado pertence ao futuro e “a melhor maneira de prever o futuro é criá-lo”. Você criou um futuro possível para tantas mulheres trans e travestis que, tenho certeza, lutarão para que outras “manas” possam viver livres e felizes.

    Precisamos de mais gente como você. Quem dera se todos fossem fortes, Samy.”

    Conhecimento é conquista.

    -FS

  • Samy Fortes: A Voz que Transformou Territórios

    Samy Fortes: A Voz que Transformou Territórios

    Samy Fortes, uma das vozes mais potentes e transformadoras de Jundiaí, nos deixou, mas seu legado permanece a todos que acreditam na construção de um mundo mais justo e inclusivo. Sua participação no TEDxJundiaí, Territórios, marcou profundamente aqueles que tiveram o privilégio de ouvi-la. Com palavras de resistência e empatia, Samy nos desafiou a repensar fronteiras e preconceitos.

    Ao iniciar sua palestra, Samy trouxe dados alarmantes sobre a realidade enfrentada por pessoas trans no Brasil, mas com uma sensibilidade que transformou números em histórias humanas. “20 de outubro de 2018, Natasha Lobato foi assassinada com 18 facadas. Cruelmente, brutalmente. Simplesmente mais um corpo travesti morre no nosso município. Pessoas travestis e transexuais como Dandara, como Florisberta, como Kimberly, como Ana, e como tantas e tantas outras acabam perdendo suas vidas simplesmente por se reconhecerem pessoas travestis e transexuais. Essa é a realidade do nosso país”, declarou. Suas palavras, mais do que expor uma estatística, nos desafiaram a lembrar que por trás de cada dado há vidas, sonhos e histórias brutalmente interrompidas.

    Samy sabia profundamente que cada dado representa uma vida, uma história marcada por desafios e, muitas vezes, pela exclusão. Foi essa consciência que a motivou a criar o Centro de Apoio e Inclusão Social para Travestis, Transexuais e pessoas em situação de vulnerabilidade de Jundiaí e região (CAIS-Jundiaí). Como fundadora e presidenta, Samy transformou o CAIS em um espaço de acolhimento, onde histórias que poderiam ter sido interrompidas encontram suporte e um caminho para a reconstrução. O projeto vai além do apoio psicológico e da assistência social: ele oferece uma comunidade que valida existências e combate as barreiras enfrentadas diariamente pelas populações LGBTQIA+.

    Outro projeto que reflete o compromisso de Samy com a inclusão e a transformação social é o EducaTrans Jundiaí, um cursinho popular exclusivo para a população travesti, transexual e transgênero da região. Criado para enfrentar os alarmantes índices de evasão escolar e as barreiras históricas ao acesso à educação, o EducaTrans oferece um caminho para que essas pessoas retomem seus estudos e reconstruam suas trajetórias. “73,4% da minha população abandonam os estudos simplesmente porque sofrem: para a sociedade é bullying, para nós, é transfobia”, destacou Samy em sua palestra, traduzindo em palavras a urgência de iniciativas como esta.

    O projeto tem como objetivos preparar estudantes para o ENCCEJA, que permite a conclusão do ensino médio, e para os vestibulares de universidades públicas, por meio do ENEM, além de exames de instituições como Unicamp, USP e Unesp. Também visa capacitar para concursos públicos, criando novas possibilidades de empregabilidade e inclusão no mercado de trabalho. Além disso, o EducaTrans contempla aqueles que ainda precisam dar os primeiros passos na educação, com turmas de alfabetização que garantem uma base essencial para futuros avanços.

    No TEDxJundiaí, Samy também compartilhou sua trajetória pessoal, marcada por agressões, rejeição e desafios, ilustrando as dificuldades enfrentadas por pessoas trans no acesso a espaços públicos. Aos 7 anos, no primeiro dia de aula, foi violentada no banheiro masculino por colegas, uma rotina de agressões que culminou em um episódio em que foi espancada por 12 meninos, sendo salva pelo coordenador do pátio da escola. Posteriormente, ao buscar segurança no banheiro feminino, foi expulsa por aquele mesmo coordenador, levando-a a questionar: “E então eu pergunto: onde é o meu lugar?”.

    Ao compartilhar sua vivência, Samy evidenciou a importância de políticas inclusivas que garantam o acesso seguro de pessoas trans a espaços públicos. Sua história não apenas revelou as barreiras enfrentadas diariamente, mas também despertou a necessidade de um diálogo mais humano e informado sobre como promover igualdade e respeito em nossa sociedade.

    A adolescência de Samy não foi menos desafiadora. Aos 12 anos, sob pressão familiar, ela foi submetida a um tratamento hormonal forçado. “A equipe médica do Hospital Militar do Rio Grande do Sul achou que aplicando hormônios masculinos no meu corpo adolescente, eu ia ficar ‘machinho’ e abandonar minha feminilidade. Mas meu corpo rejeitou o hormônio, e foi minha mãe quem disse: ‘A gente vai perder nosso filho. Deixa ele ser o que ele for. Ele sempre será nosso filho’.” Com o apoio inesperado de sua mãe, Samy finalmente encontrou espaço para se identificar e viver como a mulher que sempre foi.

    Desde o início da jornada para realizar o TEDxJundiaí, antes mesmo de obtermos a licença oficial, começamos a imaginar os nomes de pessoas incríveis que poderiam estar no palco. Entre todas as possibilidades, Samy Fortes foi o primeiro nome em nossa lista. Sua trajetória, coragem e impacto em nossa comunidade a tornavam a escolha mais natural para inspirar e provocar reflexões.

    No entanto, não pudemos deixar de sentir certo receio sobre a recepção do tema logo na primeira edição do TEDxJundiaí. Seria o assunto considerado polêmico? Seríamos capazes de transmitir sua importância com a sensibilidade necessária? Samy, com sua clareza e empatia, rapidamente dissolveu esses temores. Sua capacidade única de abordar temas complexos com humanidade e profundidade conquistou não apenas os que já acreditavam em sua mensagem, mas também aqueles que estavam ouvindo-a pela primeira vez.

    No TEDxJundiaí, Samy nos lembrou que territórios não são apenas espaços físicos, mas também espaços de existência e resistência. Com sua fala poderosa, destacou como o respeito e o apoio mútuo têm o potencial de transformar jornadas individuais e fortalecer comunidades. Seu trabalho no CAIS-Jundiaí e em tantos outros projetos e ações que liderou são exemplos vivos de como a empatia e a justiça podem mudar vidas.

    Hoje, nos despedimos de Samy Fortes, mas sua luta, suas palavras e seu legado permanecem. Que sua história inspire mais pessoas a construir um mundo onde todos tenham espaço para existir, sonhar e prosperar.

    Nosso carinho e nossos sentimentos estão com todos os familiares, amigos e admiradores de Samy (como nós!). Que sua força e história permaneçam vivas em cada gesto de solidariedade e cada ato de coragem e luta por direitos.

    Descanse em paz, Samy. Seu legado será eterno.

    Texto por Rafael R. Testa e Tainan Franco.

    Muitas vezes as pessoas falam ‘eu aceito a sua condição, a sua identidade’. Mas eu não preciso de aceitação, pois EU me aceito! O que eu exijo é respeito, pois tem que ser recíproco: eu respeito para ser respeitada.

    Samy Fortes
  • TEDxJundiaí: um palco de Ideias que revelam novos olhares

    TEDxJundiaí: um palco de Ideias que revelam novos olhares

    Sete histórias exemplares mostram como há olhares distintos para cada situação

    Matéria e entrevistas por Cibele Carvalho

    Já está no ar, na página oficial do TEDx Talks no YouTube, as sete palestras do TEDxJunidiaí que aconteceram no último dia 17 de novembro, na Sala Glória Rocha, tradicional espaço cultural da cidade. O conjunto de palestras se destacou por sua capacidade de transformar perspectivas e inspirar entusiastas de TEDx ao redor do mundo com temáticas como: maternidade, meio ambiente, estratégias de vida desde o esporte até a superação, além de arte, racismo, educação e integração social.

    Para os envolvidos, desde a apresentadora até os palestrantes — conhecidos como “speakers” em eventos que ocorrem em várias partes do mundo, como Estados Unidos, Inglaterra e Japão — a familiaridade com os tópicos é notável. Contudo, o frio na barriga é uma experiência comum que acompanha a responsabilidade de pisar no emblemático tapete vermelho, marca registrada dos eventos TEDx. Essa emoção, misturada com a expectativa de compartilhar ideias poderosas, torna o evento ainda mais significativo e impactante tanto para os participantes quanto para a audiência, abrindo espaço para novas visões e aprendizagens.

    Mônica Cereser, psiquiatra e escritora, trouxe à tona discussões sobre saúde mental e autoconhecimento, começando sua fala com uma frase reconfortante: “Ser mãe não vem com manual.” Ela explorou os desafios e as armadilhas da superproteção, destacando que muitas vezes a linguagem negativa não é eficaz. “Quando você fala, ‘não pode subir no sofá’, a criança só ouve que pode subir no sofá”, sugeriu, propondo uma comunicação mais positiva, construtiva e de empatia, olhando para a criança interior, respeitando-a e compreendendo o comportamento das crianças.

    Hildon Vital de Melo, conhecido como Camaleão Albino, vestia seu característico tapa-olho e utilizou seus 15 minutos para levar a audiência em uma jornada filosófica pelas ideias de Platão, com ênfase no conceito do “mito da caverna”. Ele explorou as “cavernas” internas de cada um e o processo contínuo de sair delas, numa reflexão que combinou filosofia e experiência pessoal. “O ‘mito da caverna’ é um convite para as pessoas reconhecerem e superarem suas próprias limitações e percepções errôneas,” explicou ele. 

    Camaleão compartilhou que sente imenso prazer em olhar a vida de forma filosófica e compartilhar essas reflexões, especialmente quando há a oportunidade de alcançar as crianças, que ele considera o público mais exigente, curioso, e que garante um futuro mais reflexivo. “A experiência de estar no palco do TEDx Jundiaí foi incrível, principalmente pela liberdade de falar o que eu queria compartilhar,” concluiu.

    Outra presença marcante foi a de Marcel de Souza, ex-jogador de basquete que agora atua na área da medicina. Com seus 1 metro e 99 centímetros, Marcel não apenas impôs uma forte presença no palco devido à sua altura, mas também chamou atenção ao pedir que as luzes fossem acesas, a fim de se conectar melhor com o público. Durante sua apresentação, ele compartilhou como as lições aprendidas na quadra influenciaram sua abordagem na vida profissional. “No esporte, se você percebe que o adversário está com medo, você avança com determinação. Essa visão estratégica é algo que levo comigo para o consultório médico”, afirmou. Marcel também destacou: “Intimido qualquer desafio que o paciente possa vir a ter. O segredo é trabalhar mais na prevenção do que no tratamento.”

    Ele explicou como a habilidade de rapidamente analisar situações e tomar decisões eficazes no esporte agora orienta sua prática médica, ajudando-o a enfrentar desafios com confiança e perspicácia. “Minha mudança do esporte para a medicina mostra como as habilidades que aprendi em uma área podem enriquecer e trazer novidades para a outra, oferecendo uma visão única e diferente”.

    O rapper niLL foi o primeiro a chegar ao teatro. Ainda nos bastidores, uma hora antes do evento, 17h45, estava eufórico com o convite. “Quando a Tainan me convidou para participar, pensei: uau, que responsabilidade. Um evento dessa magnitude deixa qualquer um empolgado”. Fundador do coletivo Sound Food Gang, ele discutiu a velocidade das informações e o impacto nos sonhadores.

    Ansioso para falar com a plateia, optou por não fazer silêncio ou qualquer tipo de concentração. Conversou com todos da produção, mostrando o quanto o TEDx planta sonhos até nos mais experientes. “Ainda na adolescência, com o convite de uma professora do ensino médio, comecei a colocar em letras musicais minhas angústias, alegrias e sonhos. O tempo é curto para expressar todos os meus olhares sobre a vida, mas é importante roteirizar para não perder o raciocínio”.

    Mesmo com a chuva na região de Jundiaí na noite do TEDx e a temperatura marcando aproximadamente 15°C, para niLL, ao sair do palco, parecia 30°C. O rosto todo molhado de suor era prova de que participar do TEDx provoca também uma sensação de euforia. “Enquanto houver alguém que sonha e alimenta esses sonhos — o que sei ser verdade para muitos aqui presentes — ainda dá para plantar muitas sementes”, afirmou, incentivando a continuidade dos sonhos em meio às pressões digitais.

    A mesma sensação que levou Nill à sudorese foi sentida por Wagner Nacarato, diretor do Teatro Polytheama, ao sair do palco. “Sinto-me leve, renovado e ainda mais determinado a pisar em palcos onde quero voltar. Para mim, foi como uma ‘sessão de descarrego’”, brincou Nacarato ao compartilhar sua jornada pessoal de superação após quatro cirurgias recentes. “Essa semana foi a mais dolorida de toda a minha vida. Uma batalha contra o câncer traz uma exaustão que remédio nenhum é capaz de aliviar. Mas o teatro sim, ele me alimenta e me dá vontade de viver”, disse ele, mostrando que o palco do TEDx é também um espaço de cura e renovação.

    Nacarato compartilhou que nunca imaginaria assumir a diretoria de um dos principais centros culturais da cidade – o Teatro Polytheama – que já foi considerado o maior teatro do Estado de São Paulo na década de 1920 e hoje tem capacidade para receber até 1.236 pessoas em cada peça. “Assim como não imaginei assumir o cargo que hoje tenho, a medicina também não imaginou o quanto a arte me salva, mesmo com células cancerígenas malignas espalhadas em todo o meu corpo.”

    Jorge Bellix, engenheiro agrônomo e presidente da Associação Mata Ciliar, emocionou o público ao narrar experiências devastadoras de destruição ambiental. “Ver uma onça morrer queimada abraçada com seus filhotes é um olhar que marca a alma da gente”, disse ele, sublinhando a importância de ações urgentes para proteger nosso planeta.

    Valéria de Paula trouxe para o palco a discussão sobre a valorização da cultura negra e a necessidade de desafiar sistemas de privilégio. “Eu não tento convencer os brancos de nada. Se há racismo, é um problema deles”, declarou Valéria, enfatizando a importância da auto-reconstrução e da resistência cultural.

    A paixão por trás do TEDxJundiaí

    Tainan Franco, co-organizadora, produtora e apresentadora do evento, destacou-se pelo papel fundamental na condução de todo o processo. Com atenção aos detalhes e à organização — desde o planejamento e preparação até a curadoria dos conteúdos, logística e marketing — Tainan revelou que estava acordada há mais de trinta horas para garantir que tudo corresse bem. “Não importa o cansaço; o que realmente importa é a pessoa que está ali. É essencial capturar o olhar de cada história, pois cada uma delas impacta profundamente”, afirmou, mostrando seu comprometimento com cada narrativa apresentada.

    Rafael Testa, organizador do TEDxJundiaí, enquanto apreciava as palestras, manteve-se atento à parte técnica, cuidando da iluminação, som e slides. Com seus pensamentos organizados, já vislumbra como será o evento em 2025. “A comunidade é a parte principal de todo o espetáculo. Vou planejar como integrar ainda mais o público na próxima edição”. Embora o TEDxJundiaí 2025 ainda não tenha data definida, entre tantos olhares de apreciação e paixão, Rafael garante que haverá novidades para surpreender e encantar ainda mais.

    Parte da equipe e palestrantes no palco do TEDxJundiaí 2024

    Sobre Cibele: Jornalista apaixonada por contar histórias. Especializada em transformar narrativas de pessoas, eventos e empresas em conteúdo envolvente e inspirador. Minha missão é usar o poder do jornalismo para dar voz a histórias que motivam e conectam pessoas.

  • O que nos mantém na caverna? | Hildon Vital de Melo

    O que nos mantém na caverna? | Hildon Vital de Melo

    A emblemática alegoria da caverna de Platão nos lembra que, muitas vezes, estamos presos a visões limitadas do mundo, incapazes de enxergar além das sombras. Nesta inspiradora palestra, Hildon Vital de Melo reflete sobre como a educação pode nos libertar dessas cavernas, desafiando crenças limitantes e ampliando horizontes. Ele compartilha sua trajetória pessoal, desde se tornar o professor que nunca teve até inspirar os alunos que ele mesmo nunca foi, mostrando o poder transformador do conhecimento. Hildon também destaca as visitas guiadas que realiza em museus e seu trabalho nas redes sociais como formas de estimular novos olhares para o mundo – especialmente nas crianças, que ele celebra como as mais curiosas e questionadoras. Com emoção e humor, esta palestra é um convite para deixar as cavernas que nos prendem e abraçar a evolução e a descoberta constantes.

    Hildon Vital de Melo é filósofo, professor, escritor independente e monitor cultural. Conhecido como “Camaleão Albino”, Hildon é sócio fundador do Parla, dedicado a promover visitas guiadas e experiências culturais em museus de São Paulo. Após muitos anos como professor de filosofia no ensino básico, encontrou nos museus uma nova forma de ensinar. Com paixão pela arte, filosofia e história, ele busca inspirar as pessoas a enxergarem além das imagens e a explorarem os múltiplos significados das obras de arte.

  • Troque o Será? por Vamos ver o que acontece | niLL

    Troque o Será? por Vamos ver o que acontece | niLL

    O que têm em comum animes, games, rap e a superação de desafios? Nesta palestra envolvente, NiLL nos leva em uma viagem desde sua infância humilde na Vila Rami, em Jundiaí, até se tornar um artista com conexões internacionais. Ele compartilha como a cultura pop dos animes e a música foram elementos transformadores em sua jornada, resgatando o “eu criança” como fonte de criatividade e coragem. Com exemplos de sua arte e trajetória, NiLL desafia o medo do fracasso e convida todos a abraçarem a ousadia de agir, mostrando que os sonhos podem se tornar realidade quando acreditamos e nos movimentamos.

    niLL, nome artístico de Davi Rezaque, é um rapper, produtor musical e fundador do selo independente Sound Food Gang. Nascido em Jundiaí, ele tem se destacado no cenário do hip-hop brasileiro por sua abordagem experimental e introspectiva, mesclando referências que vão do vaporwave ao boom bap. Seus trabalhos exploram temas de identidade, pertencimento e vulnerabilidade, com uma sonoridade única que desafia convenções do gênero. Ao longo de sua trajetória, niLL criou um espaço de colaboração para outros artistas independentes, fortalecendo o movimento e trazendo inovação para a música urbana nacional.

  • O jogo acaba, mas não termina | Marcel de Souza

    O jogo acaba, mas não termina | Marcel de Souza

    A vida é um jogo que vai além do placar final. Marcel nos convida a refletir sobre como nossas escolhas, persistência e propósito podem deixar um legado que transcende o tempo. Inspirado por sua própria trajetória, ele compartilha as lições aprendidas ao conciliar duas jornadas desafiadoras: o basquete profissional, sua grande paixão, e a medicina, sua verdadeira vocação. Como atleta, Marcel enfrentou o desafio de estudar medicina enquanto representava o Brasil nas quadras, conciliando treinos intensos, competições e os exigentes estudos acadêmicos. Ele revela como aplicou o “olhar do jogo” para superar barreiras, simplificar decisões e transformar vidas. Sua palestra é um convite para vivermos com autenticidade, valorizando o que realmente importa, dentro e fora das quadras.

    Marcel de Souza é ex-jogador de basquete, médico e palestrante. Com uma carreira esportiva marcada por títulos e conquistas representando o Brasil, Marcel tornou-se um dos ícones do basquete nacional. Apesar do sucesso nas quadras, sempre manteve a visão além do esporte, conciliando sua carreira de atleta com os estudos em medicina. Hoje, atua como radiologista e clínico geral, dedicando-se à saúde e ao bem-estar das pessoas, sem perder o vínculo com a disciplina e o comprometimento que o esporte lhe ensinou.

  • Buscando nossa luz interior: Como o teatro guiou minha superação | Wagner Nacarato

    Buscando nossa luz interior: Como o teatro guiou minha superação | Wagner Nacarato

    Em uma jornada pessoal e profundamente inspiradora, Wagner Nacarato reflete sobre o significado da luz como símbolo de consciência e transformação, explorando a dualidade entre luz e escuridão, desafios e superações. A partir de experiências marcantes, como sua pausa forçada durante a pandemia e a batalha contra o câncer, ele revela como a arte, especialmente o teatro, desempenhou um papel crucial em sua resiliência e renovação. Inspirando-se na jornada do herói de Joseph Campbell, Wagner discute como crises e conflitos podem ser motores de crescimento, convidando-nos a buscar a luz interior e a reconectar-nos com nossos sonhos e propósitos. Sua palestra é um tributo ao poder transformador da arte e da espiritualidade em momentos de adversidade.

    Wagner Nacarato é ator, diretor de teatro e escritor, com uma trajetória marcada por dedicação às artes cênicas em Jundiaí. Fundador do Núcleo de Artes Cênicas (NAC) em 1988, após sua experiência no Centro de Pesquisa Teatral (CPT) de Antunes Filho, Wagner contribuiu para a formação de talentos teatrais na região. Durante 30 anos, dirigiu o Teatro da Escola do Colégio Divina Providência, inspirando gerações de jovens artistas. Atualmente, é diretor do Departamento de Teatros de Jundiaí, onde continua a promover a cultura e o amor pelas artes. Autor do livro ‘A Semente que Dorme’, compartilha suas reflexões sobre arte e vida, convidando os leitores a descobrirem seu próprio potencial criativo.

  • A Jundiaí não vista: Um outro olhar sobre sua história | Valéria de Paula

    A Jundiaí não vista: Um outro olhar sobre sua história | Valéria de Paula

    Valéria de Paula nos convida a enxergar Jundiaí de maneira plural e inclusiva, revelando histórias silenciadas que moldaram a cidade. Inspirada pelo princípio Sankofa — a sabedoria de olhar para o passado para ressignificar o presente e construir o futuro —, ela destaca a importância de reconhecer nossas raízes africanas e valorizar o direito à memória. Revisitando locais históricos com um olhar atento, Valéria ressalta as contribuições dos povos africanos na construção de Jundiaí e o papel das políticas públicas na preservação da diversidade cultural e do patrimônio histórico. Com reflexões profundas sobre racismo, ancestralidade e pertencimento, ela nos inspira a transformar nossa visão da história em uma narrativa mais inclusiva e humana.

    Valéria de Paula Ignácio é administradora, produtora cultural e servidora pública, atuante no movimento negro de Jundiaí. Defensora da valorização da cultura negra e do resgate das contribuições históricas dos povos africanos, Valéria se empenha na preservação da memória coletiva e na promoção de iniciativas que fortalecem a identidade cultural e o senso de pertencimento na comunidade. Por meio de projetos culturais e ações educativas, ela busca inspirar novas gerações a reconhecerem e celebrarem a importância do legado negro na construção da história e da cultura local.